Em Portugal, a habitual resposta para a erosão costeira é a construção de esporões, estruturas perpendiculares à costa, a custos exorbitantes e de estética duvidosa. Todavia estas estruturas nada resolvem, apenas adiam o problema uns metros para sul com uma maior gravidade que o problema original.Certamente a solução não passa pela contínua construção destas estruturas. Uma verdadeira e definitiva solução tem que passar pela origem do problema e não pela resposta e simultânea criação de novos problemas. O Estado tem vindo a gastar verbas avultadas na protecção da faixa costeira, como tem acontecido até hoje, sem que haja resultados positivos dessas intervenções.
Por exemplo, de nada valeu a colocação de esporões na Caparica. O litoral é dinâmico por natureza. Quando introduzimos elementos estáticos, como paredões ou esporões, interferimos de forma muito significativa nesta dinâmica e as consequências podem ser graves. Agora, a praia da Caparica vai receber mais de três milhões de metros cúbicos de areia que será retirada do fundo do mar a 2,5 milhas da costa, para que seja feita a alimentação artificial desta praia e haja uma monitorização efectiva do local.
“A solução que se adoptou, como mais adequada, sobre todos os pontos de vista, foi fazê-la com areia. Porque colocar pedra não resolvia o problema tecnicamente, do ponto de vista económico era insustentável, do ponto de vista ambiental era perfeitamente desadequado, tratava-se e trata-se ainda de um sistema dunar, e do ponto de vista social, inclusive, deixava de existir a sua função que é a função balnear”. (Palavras do Sr. Secretário de Estado do Ambiente).
Recentemente estive num Workshop em Ovar, onde foram apresentadas as conclusões de um estudo de 10 anos levado a cabo pela Universidade de Aveiro. Investigadores defendem o reforço do areal das praias em vez dos tradicionais esporões.
Para além da situação dramática do potencial agravamento do ritmo de erosão costeira, e dos episódios sistemáticos, das alterações sazonais dos perfis das praias e destruição de dunas, em cerca de 15% a 25% (litoral Espinho-Cabo Mondego), foi salientado também a necessidade da recuperação do cordão dunar na Praia de Mira, sendo necessárias plantações de espécies vegetais fixadoras, como o estorno (Ammophila arenaria) e o cardo-marítimo. Plantas que apresentam grande resistência ao vento e salinidade e, sobretudo ao soterramento, fruto da sua grande capacidade de regeneração, servindo de pioneiras e criando condições para o aparecimento de outras espécies. A acção da vegetação em conjunto com o vento, são os dois factores essenciais para a formação do cordão dunar. Este processo de recuperação pode ser lento e obriga a uma acção de gestão e manutenção constante. Assim, embora seja necessário intervir a diferentes níveis, torna-se imprescindível e urgente, proceder a uma recuperação do cordão dunar, para se evitar danos piores na nossa zona costeira.
Carlos Monteiro

6 comentários:
Fico muito feliz que as pessoas da Praia possam colocar as suas mensagens, numa garrafa virtual, para que ela navegue na web e chegue onde tem que chegar.
Peço às pessoas que participarem no blog, que o façam de forma moderada e com respeito, sem nunca perderem o espírito crítico. Não podemos conceber a Autarcas, que após a sua eleição democrática, se alheiem dos cidadãos desta freguesia. É pela falta de cidadania e participação pública, que os problemas sociais se ampliam, ou pelo menos não se amenizam.
Obrigado Carlos, por nos criares este espaço de discussão.
Parabens amigo Carlão.
Espero que este espaço seja um espaço de nivel. Não uma peixeirada como os outros.
Quanto ao texto, Erosão costeira
Vários estudos já realizados na nossa zona costeira, mostram que os principais casos de erosão reportados podem ser entendidos e explicados como: resultado intrínseco dos padrões de dispersão e transporte de sedimentos na zona costeira, resultado de intervenção humana na zona costeira, seja através da construção de obras de engenharia, seja através de usos do solo inadequados.
Portanto, venha mais um esporão para reter a areia, porque se não houver areia a ser transportada para ali...pouco importa.
Espero sinceramente que se fale dos problemas da Praia e do Concelho, e não de politiquices.
Parabéns pelo blog.
Com manifesto agrado aqui deixou o meu primeiro comentário neste espaço, e os parabens ao responsável por esta iniciativa.
Quanto ao tema aqui apresentado pelo Carlos já muito dissemos, a situação é complicada e de dificil resolução. Todo o litoral sofre e são sobretudo as populações costeiras as mais prejudicadas, e nesse campo também o nosso concelho. Os tecnicos teem nos ultimos tampos procurado alertar para estas situações, mas o certo é que com o aumento da temperatura global, subida dos oceanos entre outra procupações globais, esta é uma situação que importa resolver o quanto antes.
Alguém que já viu queos espor~oes por si só são insuficientes, e a colocação de areia parae-me também em vão. Essa da vegetação tem lógica.
Enviar um comentário