Não será esta, com certeza, a ultima vez que pela “blogosfera” gândareza se falará do fenómeno Turístico. Creio que muito se falou já, mas muito mais haveria certamente a dizer.Pouco tempo passou sobre as “Jornadas Culturais da Gândara”. E reitero o epíteto “da Gândara”, e não de outro sítio ou localidade, como já tenho ouvido por alguns dizer. Estas jornadas, que em boa hora foram retomadas, representam o que de melhor se tem feito em termos de promoção e divulgação de um local, de uma cultura, enfim de uma maneira de estar na vida. Pecando por vezes, a Gândara, por escassez de manifestações culturais de valor, em detrimento de outras, que apesar de também necessárias esgotam o seu significado e a sua presença no momento em que ocorrem, as populações e demais interessados foram desta vez brindados com uma verdadeira Jornada de divulgação cultural.
São estas iniciativas, que actuando no panorama global como parte e como todo, podem impulsionar esta economia letárgica e sazonal, partindo desta mesma cultura tão rica e cheia de verdade, para um patamar superior em termos qualitativos e quantitativos. Mas não se iludam os mais oportunistas e aqueles mais voltados para o típico “Chico espertismo”, uma mudança na presença turística e nos moldes actuais do turismo na região, só será possível com a intervenção e actuação concertada de todos os intervenientes.
Deixemos de constantemente solicitar e criticar responsáveis e dirigentes locais por este ou outro problema, quando se olharmos para a actuação dos próprios interessados, são estes, talvez, os primeiros a claudicar. Pois, tal como será facilmente constatável por qualquer interessado na temática, a postura de muitos daqueles que tendencialmente apontam falhas no processo económico-social do turismo, não é certamente a melhor para quem pretende um melhor e mais rentável turismo municipal.
Ideias relativas à afirmação de Mira como marca, representativa de uma realidade turística de qualidade, apesar de bem intencionadas tombam aos pés de factores reais de uma sociedade. Poderia eventualmente funcionar a curto prazo, mas certamente que a longo prazo o efeito pretendido seria talvez mais nefasto ainda.
Só com uma postura assertiva e bem estruturada se poderá almejar um melhor Turismo, só com boas iniciativas representativas da realidade da Gândara, e com uma cada vez maior presença da Gândara no panorama global de hoje, se poderá mais tarde, e aí sim, pretender a tão desejada ideia da Marca Mira. Para já creio que o melhor será continuar o trabalho que por aí se tem vindo a desenvolver, divulgando, mostrando e apresentando com verdade aquilo que fomos, somos e gostaríamos de continuar a ser.
O futuro depende de nós, todos nós, não de A de B ou de C, mas sim de todos, unidos e actuando neste palco como se uma única personagem se tratasse.
João Luís Pinho

3 comentários:
Amigo João Luís, estou totalmente de acordo contigo!
Para se atingir a sustentabilidade de um destino turístico, é necessário esforço integrado dos diversos actores do processo: executivo municipal, empresários, turistas, operadores e cidadãos.
As propostas a apresentar tem de ser um conjunto coerente de medidas transparentes, inteligentes, discutidas e bem explicadas.
A proposta da oposição apresentada ao executivo e publicada em jornais e blogs, não passa de mais uma campanha de marketing político. Esse é o problema de fundo, independentemente da "pouca" ambição técnica desta proposta. Que sem uma estratégia definida, limita-se a apresentar um conjunto de acções fragmentadas, sem um plano estratégico global para o desenvolvimento sustentável do turismo em Mira, a curto e médio prazo. Uma espécie de turismo integrado numa visão caseira e pouco ambiciosa. Pobre e medíocre documento.
A jornada cultural que acompanhei passo a passo (na medida do possível) foi um momento único de grande nível cultural. Portanto para continuar.
Perante a questão do turismo, que me parece pertinente, qual deverá ser a posição dos políticos em questão e que representam portanto os eleitores. Obviamente que esta é uma reflexão pessoal (não estou aqui a querer dar lições a quem quer que seja), mas parece-me importante que assumam uma postura baseada nos pontos seguintes:
1 - Dar a conhecer os planos para um turismo sustentável e tirar dele todas as potencialidades possíveis. Traze-lo portanto para a discussão pública
2 - Ter a consciência das dificuldades da população e da própria região.
3 - Melhorar e preservar todo o potencial natural existente.
4 - Deve existir uma abertura a alterações que progressivamente melhorem a eficácia do turismo sustentável.
Como diz o João Luís, “isto não é um problema de A de B ou de C, mas sim de todos, unidos e actuando neste palco como se de uma única personagem se tratasse.”
Claro que isto é uma mera opinião pessoal.
Caro senhor, apenas a exposição da minha concordância no que à semiologia dos problemas de marca e de marketing patentes no nosso concelho, bem como à terapêutica indicada! Claro, existem mais sintomas; existem mais caminhos, todavia, o essencial está no que diz!
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