Espero a vossa participação no exercício de cidadania

terça-feira, 22 de Julho de 2008

Nem só de grandes obras vive o nosso concelho de Mira

Já por várias vezes tenho escrito, que se houve personalidade que fez obra no nosso concelho (e, por vias disso, também na nossa Praia de Mira) foi precisamente o Dr. João Maria Ribeiro Reigota.
No entanto, não deixa de ser estranho (pelo menos para mim é estranhíssimo) como é que o Dr. João Reigota, e os restantes membros dos seus VÁRIOS executivos evidentemente, dedica tão pouca atenção aos "pormenores", "pormenores" esses que tanto contribuem para a má imagem da nossa Praia de Mira.
O Dr. João Reigota, afirmo-o com a sustentada convicção de quem o vê levar ONZE ANOS de governação à frente dos destinos do nosso concelho, "esquece", com uma facilidade arrepiante, os simples (quanto óbvios) princípios:
"Muitas insignificâncias fazem a perfeição, mas a perfeição não é uma insignificância" disse Miguel Ângelo e
"Nem só de grandes obras vive o nosso concelho de Mira" digo eu.
Já Josémaria Escrivá, por sua vez e já que estou numa de "ditos", também disse: "As almas grandes têm muito em conta as coisas pequenas".
Poderá ser uma maneira "simplista" de ver as coisas, mas de que nos vale ver "Mira começa(r) realmente a mexer" (aludindo aos vários empreendimentos executados e/ou em vias de execução), se aquilo que se vê um pouco por todo o concelho - e sobretudo na Praia de Mira - é tão triste, tão humilhante, tão desnecessariamente revoltante.
Amigo Carlos Monteiro, VER a nossa Praia (anos e anos e anos a fio) neste estado tão "pouco recomendável" (e disso te tenho dado exaustivamente conta nos imensos e-mails que te tenho enviado) leva-me a afirmar, com toda a certeza e sem qualquer questiúncula político/partidária, que o actual executivo camarário ("capitaneado" pelo Dr. João Maria Ribeiro Reigota) não consegue "lavar" as duas faces ao mesmo tempo, isto é:
"Conseguir" (nota que está entre comas) grandes projectos para as nossas terras e, em simultâneo, cuidar das "miudezas" que tanto nos afligem: 1 – Limpeza defecientíssima das ruas da localidade, com detritos de toda a ordem pelo chão (nesta data em que reescrevo estas linhas – 2007SET28 – e para além de papeis, plásticos e embalagens de plástico, beatas de cigarros, vidros, cascas de tremoço, etc., ainda há ruas que não foram limpas de areia que para ali foi arrastada pelas intempéries do Inverno passado); 2 - Contentores de recolha dos resíduos urbanos (vulgo lixo doméstico) perfeitamente imundos e exalando cheiro pestilento; 3 - Recolha do lixo urbano a ser realizada (pela empresa ERSUC) a horas em que há turistas passeando nas ruas e a tomar refeições e/ou bebidas em estabelecimentos e/ou esplanadas (20H00/22H00) e que são "brindados" com este "magnifico" cenário complementado por odores perfeitamente indescritíveis; 4 - Estradas, no interior da localidade, em que a sinalização horizontal, especialmente passadeiras para peões, é praticamente invisível; 5 - Sinalização vertical em que os tubos metálicos que suportam os sinais de trânsito, deles (dos ditos sinais de trânsito) estão despojados vai para longos meses (nem colocam os sinais, nem retiram os ditos tubos metálicos como, aliás, foi sugerido à C.M. Mira por várias vezes); 6 - Trânsito perfeitamente desregulado e caótico (como simples exemplo, há vias em que mal cabe uma viatura e aonde é permitido os dois sentidos de tráfego); 7 – Comerciantes (legais e ilegais) que tudo, literalmente tudo ocupam para realizar os seus negócios (passeios e as próprias vias por onde circula o trânsito automóvel) transmitindo a sensação de que estamos numa qualquer "aldeia" de um qualquer país terceiro mundista onde “não há rei nem roque"; 8 – A prática do campismo "selvagem" (tudo, literalmente tudo, serve para montar a barraca: desde a zona envolvente aos parques de campismo - Municipal e Orbitur - à marginal da praia, aqui, sobretudo auto caravanas); 9- Parque de lazer sem condições higieno-sanitárias (refiro-me, mais exactamente, ao parque de lazer contíguo ao parque de campismo "Orbitur" e para onde se dirigem imensos visitantes (Idosos, Adultos, Jovens e Crianças) a fim de ali tomarem as suas refeições. Ali chegados, deparam-se com uma espécie (da pior espécie) de parque de lazer com uma extensão de 200 metros e sem um único sanitário para satisfazer as mais elementares necessidades higieno-fisiológicas); 10 – Habitações e outras edificações em ruína por todo o lado (do areal da praia em frente ao mar, a toda a área envolvente á Barrinha... e não só); 11 - Uma Barrinha, lindíssima, que aparenta, pelo menos aparenta, não estar na melhor das condições (basta a cor "verde turvo" transmitida pelo lodo que tem depositado no seu fundo, para "tirar ideias" ao mais afoito veraneante. Longe, muito longe, vão os tempos em que eram às centenas os que nela se banhavam em condições de higiene e segurança e em que se podia beber água sem receios de desarranjos intestinais); 12 - Crianças, as nossas e todas as que nos visitam, que ainda hoje (2008JUL20) CONTINUAM A NÃO SER MERECEDORAS DE UM simples Parque Infantil (convém não esquecer que "Todas as flores do futuro estão nas sementes de hoje", provérbio Chinês... estes chineses sempre têm cada uma)
Meu amigo Carlos Monteiro: e se em 28 DE SETEMBRO DO ANO DE 2007 era assim, hoje (20 DE JULHO DE 2008 e com excepção para a pintura das passadeiras para peões) assim é e para o ano, se Deus Nosso Senhor deixar e o Dr. João Maria Ribeiro Reigota quiser, pode ser que seja melhor.
A ver vamos... se cá estivermos e oxalá que sim.
Para terminar meu amigo Carlos Monteiro (e na certeza de que muito, mas mesmo muito mais, haveria para apontar) apenas mais um "dito", e este é de Molière:
"NÃO SOMOS RESPONSÁVEIS APENAS PELO QUE FAZEMOS... MAS TAMBÉM PELO QUE DEIXAMOS DE FAZER"

João M.J. Milheiro

7 comentários:

Carlos Monteiro disse...

Amigo João,

Como poderás verificar no inicio do nosso blog está mencionado: “Espero a vossa participação no exercício de cidadania”. É nesta situação, que os direitos de cidadania exigem que nos mobilizemos, que estejamos motivados para o espírito crítico, contra todos os dogmas, contra tudo o que restringe a informação útil aos cidadãos. As “fanfarras” só existem em poderes políticos medíocres. Haja o que houver, é sempre um argumento de incentivo a manifestações públicas de liberdade plena. É importante não ter medo de sermos testemunhas da dignidade de toda a pessoa humana. É importante assumirmo-nos, exprimirmos as nossas opiniões. Como é que nos podemos calar quando estamos todos a braços com os mesmos problemas.
Pela minha parte, nunca deixei de fazer o que acho que devo fazer. Sempre defendi as minhas razões até me demonstrarem que não as tenho. No que toca à nossa terrinha, vou dizendo o que sinto e o que muitos outros sentem! E se o faço é porque tenho esperança que as minhas “mensagens” cheguem “aos ouvidos do executivo municipal”!

A verdade é que algumas coisas não vão bem, e isso ninguém conseguirá ignorar, por muito que se olhe noutra direcção. Os “pormenores” como lhe chamas, continuam por fazer, de facto essas pequenas coisas tem um impacto visual muito negativo.

Mas a água tirada de um rio, depois de uma tempestade, fica escura e cheia de resíduos. Mas o interessante...é que depois de algum tempo em repouso, ela volta ao seu estado natural.
É bem verdade! Que para se atingir o equilíbrio é bastante difícil. Há porém, aqueles que já perceberam a importância da qualidade de vida e passaram a preocupar-se com isso.
Portanto amigo João, esperemos melhores dias, estou certo que eles virão!

Anónimo disse...

Uma coisa tenho por certa, vamos ter limpeza sim…no próximo ano.
Já agora, limpem o percurso pedonal por detrás dos Maçaricos, está intransitável!
Não é assim que vamos lá! Tenho pena de ver o Concelho a perder a imagem de dia para dia.

amigo da barrinha disse...

Shakespeare dizia que a vida é um conto, contado por um idiota, com muito som e fúria significando nada! [mas isso era o Shakespeare quem dizia, não eu]...
Eu penso que na vida, somos personagens que a cada momento se deparam com imprevistos, com surpresas, com inovações...nada está pré-definido?
Acho que temos que viver com estas e outras maleitas cá do nosso burgo, o que interessa é não nos calarmos quando temos razão e não deixar colar-nos rótulos nas costas, de resto é esperar que as coisas melhorem um pouco.

Maria Zua disse...

Amigo João:

Esta vida é feita por Criticos e criticados. Os criticos têm que ser mais habilitados que os criticados, daí, quero eu dizer que cada um tem o que merece. É triste dizer que os nossos conterrâneos culpam sempre a Câmara(seja qual for o executivo) pelos males que existem na terra,(tem de haver sempre oposição senão não há interesse). Que eu me lembre e corrijam-me se eu estiver enganada, já existiu um parque infantil junto ás bombas da gasolina que foi danificado pelas pessoas; foi feito um caminho pedestre(mas usado por veículos)que ainda existe, todo iluminado, que não durou muito a sua iluminação pois os candeeiros era raro o dia que não partissem um; foi feito um largo com jardim, um palco e um pequeno lago que passou a ser a alegria de alguns para refrescar os pés; encontrava-se inicialmente um barco de arte xávega para exposição, que tiveram de retirar para não ser deteriorado, encontrando-se neste momento junto ao museu; quanto aos estacionamentos, as próprias pessoas na época balnear fazem questão de pôr caixas e tijolos (para reservar estacionamento para os banhistas); os contentores do lixo são utilizados como baldes de restos para dar aos animais, pois nem se dão ao trabalho de usar sacos de lixo, nem de taparem o contentor (quando não o põem ao lado, no chão);a limpeza das ruas depende da educação de cada um, mantendo-as asseadas.
Caro amigo, isto são criticas mas os criticados sentem-se como aquela celebre frase "quando o mar bate na rocha quem se lixa é o mexilhão". Que tal sermos todos PRESIDENTES por um dia? Uma bela proposta para se pensar.

Carlos Monteiro disse...
Esta mensagem foi removida pelo autor.
Carlos Monteiro disse...

Amiga Maria Zua,

Estou completamente de acordo consigo!
Ainda há pouco tempo foram colocados novos postes de iluminação na pista, e já foram partidos (vandalizados). Também há pouco tempo a AAMARG, junto com a Associação de Pesca Desportiva da Praia de Mira - removeram um volume mais de 500L de resíduos das margens da barrinha e aí plantaram cerca de 300 árvores ribeirinhas. Passado algum tempo verificou-se que o lixo continua a ser debitado nessas margens e que a maioria das árvores plantadas, foram destruídas.

Antes de iniciar a época a ERSUC substituiu os contentores por contentores limpos, entretanto as pessoas continuam a colocar o lixo sem o acondicionarem em sacos de plástico. A empresa de recolha do lixo é a mesma que faz a recolha em Cantanhede, Tocha e Figueira. Se nesses locais não existe esse problema, porque raio há-de acontecer aqui? Não será uma questão de educação?

Claro que não falo só de pessoas da Praia, mas da qualidade das pessoas que nos visitam. A limpeza depende da educação de cada um! Basta vermos a sujeira nos parques de laser depois de um fim-de-semana. Assim perante cenários destes, não há câmaras nem juntas que resistam!

Por isso creio que estamos a correr um sério risco de estarmos a lutar contra moinhos de vento, a mudança das mentalidades é difícil, mas também é verdade que a esperança não deve morrer nem se deve matar.

João José Tomásio disse...

Parabens, ao autor do texto, Sr. João M-J. Milheiro, e também ao amigo Carlos Monteiro.
É uma sensação contraditória, o que sinto ao ler este post, pois trata-se de um assunto bem real, infelizmente, mas que aqui está explicado e explorado de forma soberba.
Estou aqui a comentar simplesmente pelo facto de se tratar da Praia de Mira e de me rever na posição do Sr. João Milheiro; sem qualquer intenção política – quem me conhece sabe que não tenho a mínima aspiração nessa vida;
O Sr. Milheiro enumera vários aspectos que, de facto, são «pormenores», que fazem (pela negativa) toda a diferença. São, também na minha perspectiva, aspectos cruciais que pela sua simplicidade e funcionalidade (ou falta delas) influenciam determinantemente a imagem da praia e do próprio concelho.
Existem, quanto a mim, alguns destes pormenores (sem querer desvalorizar os outros) que são de importântia ainda mais vincada, que são as questões da segurança e da higiene.
Segurança: Para quando a instalação de divisões físicas que delimitem os passeios e muralhas que acompanham a barrinha (por ex:, ao lado do coreto, por trás das bombas, ao longo da vala das lavadeiras, etc)
Higiene: Para quando a instalação de contentores subterrâneos, evidentemente mais higiénicos (não só em termos de aspecto);
Para quando a aquisição de uma escovadora automática, para limpar eficazmente o pó e lixo das ruas, evitando o desperdício de dinheiro em mão-de-hora de trabalho, pago às funcionárias da junta, para “varrer a rua” (literalmente), em vão? Essas horas seriam bem canalizadas para outros afazeres bem mais produtivos e visíveis...
Bom, estes são os aspectos quanto a mim mais urgentes, pois não se trata só de má aparência, trata-se mesmo de risco para a saúde e segurança pública.
Cumprimentos, e a minha reverência àqueles que vivem e se preocupam pelo conselho.
Eu sou daquelas pessoas que acha que a crítica é precisa, mesmo que seja vinda daqueles que pouco ou nada façam por ver a mudança a acontecer. Tão ou mais importante que o agir é, e eu penso assim, começar por ter ideias.
Um abraço,
João José Tomásio