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terça-feira, 26 de Fevereiro de 2008

Erosão costeira

Em Portugal, a habitual resposta para a erosão costeira é a construção de esporões, estruturas perpendiculares à costa, a custos exorbitantes e de estética duvidosa. Todavia estas estruturas nada resolvem, apenas adiam o problema uns metros para sul com uma maior gravidade que o problema original.
Certamente a solução não passa pela contínua construção destas estruturas. Uma verdadeira e definitiva solução tem que passar pela origem do problema e não pela resposta e simultânea criação de novos problemas. O Estado tem vindo a gastar verbas avultadas na protecção da faixa costeira, como tem acontecido até hoje, sem que haja resultados positivos dessas intervenções.
Por exemplo, de nada valeu a colocação de esporões na Caparica. O litoral é dinâmico por natureza. Quando introduzimos elementos estáticos, como paredões ou esporões, interferimos de forma muito significativa nesta dinâmica e as consequências podem ser graves. Agora, a praia da Caparica vai receber mais de três milhões de metros cúbicos de areia que será retirada do fundo do mar a 2,5 milhas da costa, para que seja feita a alimentação artificial desta praia e haja uma monitorização efectiva do local.
“A solução que se adoptou, como mais adequada, sobre todos os pontos de vista, foi fazê-la com areia. Porque colocar pedra não resolvia o problema tecnicamente, do ponto de vista económico era insustentável, do ponto de vista ambiental era perfeitamente desadequado, tratava-se e trata-se ainda de um sistema dunar, e do ponto de vista social, inclusive, deixava de existir a sua função que é a função balnear”. (Palavras do Sr. Secretário de Estado do Ambiente).
Recentemente estive num Workshop em Ovar, onde foram apresentadas as conclusões de um estudo de 10 anos levado a cabo pela Universidade de Aveiro. Investigadores defendem o reforço do areal das praias em vez dos tradicionais esporões.
Para além da situação dramática do potencial agravamento do ritmo de erosão costeira, e dos episódios sistemáticos, das alterações sazonais dos perfis das praias e destruição de dunas, em cerca de 15% a 25% (litoral Espinho-Cabo Mondego), foi salientado também a necessidade da recuperação do cordão dunar na Praia de Mira, sendo necessárias plantações de espécies vegetais fixadoras, como o estorno (Ammophila arenaria) e o cardo-marítimo. Plantas que apresentam grande resistência ao vento e salinidade e, sobretudo ao soterramento, fruto da sua grande capacidade de regeneração, servindo de pioneiras e criando condições para o aparecimento de outras espécies. A acção da vegetação em conjunto com o vento, são os dois factores essenciais para a formação do cordão dunar. Este processo de recuperação pode ser lento e obriga a uma acção de gestão e manutenção constante. Assim, embora seja necessário intervir a diferentes níveis, torna-se imprescindível e urgente, proceder a uma recuperação do cordão dunar, para se evitar danos piores na nossa zona costeira.

Carlos Monteiro