
O turismo no nosso concelho é o que todos sabemos: dois meses por ano, praias superlotadas quando o tempo permite, enchentes monumentais nos fins-de-semana. Parques e zonas de lazer lotados, supermercados e restaurantes apinhados de gente e muito lixo acumulado.
Não pensem que a descrição que faço é por despeito, não, é a realidade do turismo que temos e que apesar de tudo vai dando alguma animação ao verão da Praia de Mira e permitindo, ainda assim, a existência de alguns negócios que criam, embora na maioria precários, uns tantos empregos.
É este tipo de turismo que pode ser encarado como uma actividade importante para a economia local? Duvido.
O modelo de turismo de hoje é totalmente diferente de há vinte anos atrás. Melhor ou pior? Será este o caminho? Que proveito tira o concelho de Mira?
Não pensem que a descrição que faço é por despeito, não, é a realidade do turismo que temos e que apesar de tudo vai dando alguma animação ao verão da Praia de Mira e permitindo, ainda assim, a existência de alguns negócios que criam, embora na maioria precários, uns tantos empregos.
É este tipo de turismo que pode ser encarado como uma actividade importante para a economia local? Duvido.
O modelo de turismo de hoje é totalmente diferente de há vinte anos atrás. Melhor ou pior? Será este o caminho? Que proveito tira o concelho de Mira?
Que o Turismo é uma ferramenta de crescimento da economia de uma região, é um dado mais que adquirido, mas a economia é apenas um dos três pilares que o Turismo sustenta. Os aspectos sociais, culturais e ambientais são os restantes pilares do desenvolvimento de um destino turístico e são estes que requerem alguma atenção por parte do executivo municipal e de todos nós.
Em primeiro lugar, reconheço alguns pontos que mereceram a minha aprovação e aplauso ao actual executivo camarário. Sei o que foi feito de positivo e que saudo passo-a-passo. Sei que a dívida actual da Câmara assenta em obra necessária. Mas, está na altura de pensar um pouco mais num turismo de qualidade e não apenas no de massas.
Dai a necessidade de reorientar a política municipal com vista à definição de objectivos estratégicos neste domínio.
As excelentes acessibilidades de que hoje beneficiamos e o património cultural e paisagístico existente, floresta, lagos naturais, praias seguras de largos espaços, terra de sossego, de pescadores e gentes simpáticas, aliados à dinamização de outros novos desígnios que possam complementar a procura turística, podem transformar Mira num destino privilegiado para quem nos visita.
Para isso, é necessário trabalhar com o objectivo de criar uma marca da localidade associada a um turismo de qualidade, pelo que é essencial promover uma acção integrada de preservação e requalificação do meio ambiente que rodeia os locais de maior afluência de visitantes, (praias, lagos naturais, miradouros, percursos ciclo-pedonais, zonas de lazer, ...), tornando-os mais atractivos.
Por vezes o turismo e a conservação seguem caminhos opostos, permanecendo isolados um do outro. Esta é uma situação que tende a não ser duradoura, pois há muitos aspectos no crescimento do turismo que intersectam com os do ambiente, sucedendo-se assim uma relação de conflito ou de simbiose.
No entanto quero salientar que esta frente de património natural, tem uma grande componente de responsabilidade, que compete à Administração central e ao Governo. De facto, é uma realidade a quantidade incompreensível de organismos do poder central, que passam a vida a teleguiar a vida das autarquias. Um poder central que complica, atrasa e baralha. Não faz, nem deixa fazer.
Todavia, ser autarca não passa só por ostentar a beleza natural da região, a simpatia das suas gentes, ou aguçar o apetite gastronómico do visitante, passa por reunir em si uma série de condições e características que permitam gerir de forma eficiente e sustentável o território. Não podemos esperar, como no poema de Brecht, que nos venham buscar para reagir, temos de ser dinâmicos e responsáveis. Porque uma politica coerente, a pensar no futuro em termos de turismo, é um eixo fundamental para o desenvolvimento sustentável do concelho.
Carlos Monteiro
Em primeiro lugar, reconheço alguns pontos que mereceram a minha aprovação e aplauso ao actual executivo camarário. Sei o que foi feito de positivo e que saudo passo-a-passo. Sei que a dívida actual da Câmara assenta em obra necessária. Mas, está na altura de pensar um pouco mais num turismo de qualidade e não apenas no de massas.
Dai a necessidade de reorientar a política municipal com vista à definição de objectivos estratégicos neste domínio.
As excelentes acessibilidades de que hoje beneficiamos e o património cultural e paisagístico existente, floresta, lagos naturais, praias seguras de largos espaços, terra de sossego, de pescadores e gentes simpáticas, aliados à dinamização de outros novos desígnios que possam complementar a procura turística, podem transformar Mira num destino privilegiado para quem nos visita.
Para isso, é necessário trabalhar com o objectivo de criar uma marca da localidade associada a um turismo de qualidade, pelo que é essencial promover uma acção integrada de preservação e requalificação do meio ambiente que rodeia os locais de maior afluência de visitantes, (praias, lagos naturais, miradouros, percursos ciclo-pedonais, zonas de lazer, ...), tornando-os mais atractivos.
Por vezes o turismo e a conservação seguem caminhos opostos, permanecendo isolados um do outro. Esta é uma situação que tende a não ser duradoura, pois há muitos aspectos no crescimento do turismo que intersectam com os do ambiente, sucedendo-se assim uma relação de conflito ou de simbiose.
No entanto quero salientar que esta frente de património natural, tem uma grande componente de responsabilidade, que compete à Administração central e ao Governo. De facto, é uma realidade a quantidade incompreensível de organismos do poder central, que passam a vida a teleguiar a vida das autarquias. Um poder central que complica, atrasa e baralha. Não faz, nem deixa fazer.
Todavia, ser autarca não passa só por ostentar a beleza natural da região, a simpatia das suas gentes, ou aguçar o apetite gastronómico do visitante, passa por reunir em si uma série de condições e características que permitam gerir de forma eficiente e sustentável o território. Não podemos esperar, como no poema de Brecht, que nos venham buscar para reagir, temos de ser dinâmicos e responsáveis. Porque uma politica coerente, a pensar no futuro em termos de turismo, é um eixo fundamental para o desenvolvimento sustentável do concelho.
Carlos Monteiro


