Espero a vossa participação no exercício de cidadania

quarta-feira, 26 de Março de 2008

Que modelo de Turismo queremos?


O turismo no nosso concelho é o que todos sabemos: dois meses por ano, praias superlotadas quando o tempo permite, enchentes monumentais nos fins-de-semana. Parques e zonas de lazer lotados, supermercados e restaurantes apinhados de gente e muito lixo acumulado.
Não pensem que a descrição que faço é por despeito, não, é a realidade do turismo que temos e que apesar de tudo vai dando alguma animação ao verão da Praia de Mira e permitindo, ainda assim, a existência de alguns negócios que criam, embora na maioria precários, uns tantos empregos.
É este tipo de turismo que pode ser encarado como uma actividade importante para a economia local? Duvido.
O modelo de turismo de hoje é totalmente diferente de há vinte anos atrás. Melhor ou pior? Será este o caminho? Que proveito tira o concelho de Mira?
Que o Turismo é uma ferramenta de crescimento da economia de uma região, é um dado mais que adquirido, mas a economia é apenas um dos três pilares que o Turismo sustenta. Os aspectos sociais, culturais e ambientais são os restantes pilares do desenvolvimento de um destino turístico e são estes que requerem alguma atenção por parte do executivo municipal e de todos nós.
Em primeiro lugar, reconheço alguns pontos que mereceram a minha aprovação e aplauso ao actual executivo camarário. Sei o que foi feito de positivo e que saudo passo-a-passo. Sei que a dívida actual da Câmara assenta em obra necessária. Mas, está na altura de pensar um pouco mais num turismo de qualidade e não apenas no de massas.
Dai a necessidade de reorientar a política municipal com vista à definição de objectivos estratégicos neste domínio.
As excelentes acessibilidades de que hoje beneficiamos e o património cultural e paisagístico existente, floresta, lagos naturais, praias seguras de largos espaços, terra de sossego, de pescadores e gentes simpáticas, aliados à dinamização de outros novos desígnios que possam complementar a procura turística, podem transformar Mira num destino privilegiado para quem nos visita.

Para isso, é necessário trabalhar com o objectivo de criar uma marca da localidade associada a um turismo de qualidade, pelo que é essencial promover uma acção integrada de preservação e requalificação do meio ambiente que rodeia os locais de maior afluência de visitantes, (praias, lagos naturais, miradouros, percursos ciclo-pedonais, zonas de lazer, ...), tornando-os mais atractivos.
Por vezes o turismo e a conservação seguem caminhos opostos, permanecendo isolados um do outro. Esta é uma situação que tende a não ser duradoura, pois há muitos aspectos no crescimento do turismo que intersectam com os do ambiente, sucedendo-se assim uma relação de conflito ou de simbiose.

No entanto quero salientar que esta frente de património natural, tem uma grande componente de responsabilidade, que compete à Administração central e ao Governo. De facto, é uma realidade a quantidade incompreensível de organismos do poder central, que passam a vida a teleguiar a vida das autarquias. Um poder central que complica, atrasa e baralha. Não faz, nem deixa fazer.
Todavia, ser autarca não passa só por ostentar a beleza natural da região, a simpatia das suas gentes, ou aguçar o apetite gastronómico do visitante, passa por reunir em si uma série de condições e características que permitam gerir de forma eficiente e sustentável o território. Não podemos esperar, como no poema de Brecht, que nos venham buscar para reagir, temos de ser dinâmicos e responsáveis. Porque uma politica coerente, a pensar no futuro em termos de turismo, é um eixo fundamental para o desenvolvimento sustentável do concelho.

Carlos Monteiro

quarta-feira, 12 de Março de 2008

Requalificação Ambiental da Barrinha

O Concelho de Mira é um inegável local de tesouros naturais. Infelizmente muitas vezes não lhe damos a devida atenção que merecem, preferindo votar ao abandono estes tesouros naturais. Os recursos hídricos são um desses casos paradigmáticos.
Por isso, peço-vos um importante momento de reflexão, acerca daquilo que não fizemos e aquilo que queremos fazer no futuro. A Barrinha e a Lagoa de Mira são um ambiente lindíssimo, que vale a pena preservar e manter para as gerações futuras.
Para nós, habitantes da Praia, a Barrinha faz parte do nosso imaginário, traz-nos lembranças e memórias de infância, de tempos felizes. Nela navegámos e nadámos, sem temor da viagem nem receio da salmonela. Também reactualiza, a todo instante, a nossa memória sobre episódios tristes da intervenção humana simplificativa, que a coloca em colapso.
Todo este manto de água está tão mal tratado e ao mesmo tempo desprezado. E digo desprezado, porque as suas margens não estão limpas e as suas águas estão eutrofizadas.
É necessário fazer a limpeza e desobstrução de linhas de água (valas) para a melhoria da drenagem e funcionalidade da corrente e a revitalização das margens.
Apesar de todos estarem de acordo quanto à necessidade de se fazer uma intervenção urgente, no nosso sistema hídrico, parece ainda ninguém saber quem e com que dinheiro se faz essa intervenção.
A solução para o problema passa pela realização de dragagens, para retirar lamas orgânicas. Não obstante ser do conhecimento de todos a urgência da realização dessas dragagens, o INAG inacreditavelmente finge não conhecer o problema. Enquanto se mantiverem as ideias redutoras dos seus responsáveis, só poderá trazer à Barrinha e à Lagoa mais dissabores, mais promessas vãs, mais desenganos, mais do mesmo... ou seja, quase nada.
Recentemente o Presidente da CCDRC, reconheceu que "tudo está por fazer", dando razão ao que temos denunciado, que toda a zona ribeirinha e zonas únicas de paisagem estão de facto ao abandono, ou seja "tudo está por fazer" realmente, pergunto então: o que têm os senhores feito nos últimos vinte anos? A resposta de que "tudo está por fazer" diz TUDO, ou seja NADA!
Lembro-lhes apenas que vivemos no século XXI e que a avaliação e caracterização dos recursos hídricos, é fundamental ao nível do ordenamento e planeamento do território, na medida em que é um elemento determinante na atribuição de prioridades de usos do meio físico.
Requalificar a nossa zona ribeirinha deveria ser uma prioridade, apostando nas vertentes urbanísticas e ambiental, melhorando a atractividade e competitividade de um espaço que de certeza iria rentabilizar posteriores investimentos nomeadamente a nível turístico.
O Programa Operacional da Região Centro, no âmbito do QREN, é aquele que mais directamente diz respeito aos Mirenses. Estamos num momento decisivo, torna-se necessário definir de forma muito clara, quais os investimentos que a Câmara de Mira considera prioritários, não se dispersando em projectos de limitados efeitos na qualidade de vida dos cidadãos e no desenvolvimento sustentado do Concelho. Isto porque, ainda pior que a convicção de um não, é a incerteza de um talvez.
Temos que alterar o rumo dos acontecimentos e dar finalmente aos nossos recursos hídricos, a possibilidade de serem efectuadas as acções necessárias à sua continuidade com a qualidade que merecem, e que tardam em tornar-se realidade. Porque estamos num momento de decisões que irão afectar todos, penso que a requalificação dos nossos recursos naturais, deverá ser uma referência e encarada como uma mais-valia deixada a gerações vindouras de forma a constituir uma "âncora" patrimonial de elevado valor.

Carlos Monteiro

sexta-feira, 7 de Março de 2008

Dia Mundial da Mulher


Esta é uma comemoração para celebrar os feitos sociais alcançados pela mulher, lutando por um mundo mais justo.A tragédia do incêndio na fábrica Triangle shitwaist em Nova Iorque, que mataria 130 costureiras, que lutavam por uma redução de horários laborais e por uma remuneração mais justa, deu inicio a esta luta pelos mesmos direitos e as mesmas oportunidades, onde as sociedades possam ser mais justas e mais solidárias.

Comemorar esta data, é também relembrar às jovens de hoje que nasceram repletas de direitos: de estudar, de escolher a profissão, de casar ou coabitar com quem gostam, o controle da natalidade e entre muitos outros direitos, o de votar. Sem se lembrarem que no início do século XX, ainda a maior parte das universidades europeias não permitia o ingresso de mulheres e que a luta pelo direito ao voto foi uma das mais acesas do séc. XIX, onde mulheres com muita ou pouca cultura e com mais ou menos bens económicos reivindicaram vivamente esse direito, tendo algumas dado a vida por essa conquista.

Ao falar dessa figura humana, a primeira imagem que me ocorre, é a mulher que me carregou durante os primeiros nove meses especiais da vida e me criou. Por isso não há homem por mais machista que seja, que não esteja ligado a uma mulher.Fala-se no passado, da violência doméstica, da exploração e da exclusão social, mas a verdade é que ainda hoje as coisas não lhes são nada favoráveis. Apesar de alguns passos que já foram dados, é inegável que há muito a fazer neste capítulo, o caminho é ainda longo, até se atingir um cenário de verdadeira igualdade.

Fico agora deslumbrado por ver agora alguns sectores políticos, quando invoca o controlo público da violência sobre as mulheres, quando todos sabemos que a violência nos entra todos os dias por todos os lados, no trabalho, no trânsito, nas relações de entidades de poder, e na massificação da sociedade a que cada vez mais estamos condenados.
Por isso, lutem pelos vossos direitos, e estejam certas que existem hoje muitos homens, que estarão ao vosso lado.

Carlos Monteiro